sábado, 24 de agosto de 2013

Sorriso de football day!

Hoje é dia de Sporting. Com ele vem a esperança, vem os sorrisos, a excitação, o espirito. Este ano teremos de nos habituar a ter menos jogos por semana. Não há competições europeias, mas o interessante de se ver é que isso não nos saca de espirito. Somos o Sporting, vamos a todo o lado, e este ano, com a curva ja esgotada, teremos sempre uma casa bem recheada. Esperemos que este entusiasmo de principio de época nao seja sol de pouca dura, ja que o nosso clube merece este apoio incondicional, e não o de sportinguistazitos da treta. 

Mas tenho curiosidade em analisar um facto que para mim me parece interessante. Porquê todo este entusiasmo este ano? Pelo presidente? Pela equipa? Pelo futebol?

Presidente - a fazer o seu trabalho como se esperava e sem desiludir o Sportinguista que nao queria mais do mesmo e a chatear os que lhe chamavam Vale e Azevedo. Pois é! Com o Caso Bruma, e outros que tais, resolvidos de umas formas a que alguns chamariam talvez de pouco convencionais e nada na linha do passado do clube, o presidente ganhou o coração de muitos sportinguistas que estavam fartinhos de ver o grande a ser toreado por agentes de meia tigela de jogadores de um quarto de tigela. Isto não quer dizer que concorde com tudo, atenção.

Equipa - realmente faz uma boa pre-época, um óptimo primeiro jogo, um futebol adorável. Mas e agora? Será que se mantém? Houve surpresas que realmente me calaram, especialmente porque passei o verão inteiro a dizer que o Sporting estava a fazer contratações baseadas no FM e pouco mais que isso e que esse assunto me estava a assustar bastante. Claramente Rinaudo, que nunca considerei merecedor da braçadeira de capitão do nosso clube pela excessiva agressividade demonstrada em campo, foi ultrapassado e facilmente perderá a titularidade este ano. E, por amor de Deus, Capel-haters aprendam a ver futebol! Ok, é um facto que não aguenta os 90minutos, mas a velocidade, técnica, e empenho do rapaz é impressionante e é, para mim, um dos melhores jogadores do plantel leonino.

Futebol - ao fim de anos, anos, e anos o Sporting jogou futebol. Ao fim de anos vi mais do que 5passes bem executados seguidos. Ao fim de 182 jornadas o Sporting está em primeiro!!! Pode ser sol de pouca dura, está bem, mas nao digam que nao sabe bem ver o simbolo do nosso clube em primeiro em todas as páginas de internet. Não digam que nao sabe bem ver capas de jornais cobertas com o nosso verde. Somos grandes, gigantes, e estamos de volta. 

Considero que seria mau se ganhássemos alguma coisa este ano, com estes putos. Precisamos de consolidar e estruturar melhor a equipa antes de começar a subir a confiança às crianças, se não ainda nos acabam por sair mais uns quantos brumas da cartola e isso não seria nada bom. 

Mas como já estamos todos muito cansados desta história de maus adeptos, maus sportinguistas, maus tudo, já ninguém liga ao bruma, ja ninguém se lembra dele a nao ser o bebiano que na realidade só quer é aparecer e insiste a vir todos os dias chatear-nos a cabeça a dar entrevistas a dizer... Nada. Adeus meus queridos, espero que aprendam a virar frangos porque parece-me que vai ser o que vão andar a fazer nos próximos anos. 



sábado, 17 de agosto de 2013

Judite de Sousa, a jornalista

Eu sei. Não haverá maior off topic que este, mas como criança pensadora e opinativa que sou tenho que desabafar sobre este assunto.

Judite de Sousa fez esta semana uma entrevista, ou uns pares de perguntas com mas intenções, ao que tem sido o rapaz na boca do mundo este verão: Lorenzo. 

Filho de uma brasileira e de um luso-brasileiro com bastantes zeros na conta bancaria, Lorenzo chega a Portugal e faz noticia pelo dinheiro que gasta nas festas em que participa no nosso país. Nós, como povo pequenino que somos, comentamos na praia o que é que nos chegou aos ouvidos que se passou ontem com o rapaz. Ele? Ele nem sabe onde se veio meter.

O rapaz tem de perceber que neste país é proibido ser-se rico. Alias, como estamos tão bem de contas, devíamos dizer a todos os que passam por cá "nem se atrevam a deixar aqui o vosso dinheiro!! Tudo a pequeno-almoçar, a almoçar, a lanchar e a jantar no Mc donalds!". Como não precisamos de turismo para ajudar aos cofres, numa altura em que pouco mais temos que isso, vamos mas é manda-los embora e fazê-los sentir mal por terem dinheiro para gastar. 

Sim, o rapaz não esta cá de turismo, vem para cá viver mesmo, mas não interessa. É suposto ficar em casa sem gastar dinheiro ou "injectar" algum neste Portugal que tanto amamos? 

Fútil, chamou-lhe a Judite. Fútil, chamou-lhe a Judite enquanto segurava a metade paralisada da sua plástica mal feita, apenas para formar um sorriso. Fútil chamou-lhe a senhora que parece que tem bolinhas de botox por toda a cara. Fútil, chamou-lhe a Sousa, que saiu da RTP para não levar com recortes no salário e ter um aumento que inveja qualquer pessoa.

Nada naquela entrevista fazia sentido, não querendo apenas dizer mal da Judite. O rapaz também não é propriamente a ultima coca-cola, mas quem é a jornalista que num pais decente faz perguntas daquelas a um rapaz de 22 anos com dinheiro? Alias, onde é que uma jornalista num país decente entrevista um rapaz de 22 anos com dinheiro de todo?

Eu amo este meu Portugal, nunca duvidem disso. Mas esta atitude mesquinha do "se eu não tenho tu não  podes ter" tão típica e irritantemente portuguesa já começa a meter pena. Quem tem dinheiro que gaste onde quiser e ninguém tem nada a ver com isso.

  

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Finalmente de ferias. Finalmente volta a liga. Finalmente respiroSporting, de novo, a 100%

Pois é meus caros, ja estou de volta. Em resposta às inúmeras mensagens perguntando o que se passava comigo, se estava de ferias e por isso é que ja nao escrevia, tenho-vos a comunicar que nao, nao estava de ferias, mas sim envolta em inúmeros problemas pessoais que me impediam de ter tempo e inspiração para desabafar neste que é o meu cantinho virtual.

Agora, que vos escrevo directamente da praia dos tomates, no Algarve, estou de volta, tal como a nossa querida primeira liga, e cheia de opiniões, como sempre.

Começa agora a época. Este inicio é sempre um prazer para qualquer Sportinguista. Acreditamos sempre, umas vezes mais outras menos, que podermos chegar a campeões. Ou vá, este ano é acreditar que no próximo voltaremos a ouvir o hino da Champions lá em casa, no estádio de Alvalade. 

Eu acredito. Acredito que, vendo esta pre-época dos nossos adversários, temos algumas hipóteses de chegar ao segundo lugar. Ser campeões é complicado, já que este ano vê-se que será outro daqueles em que os do norte ficam 40 pontos a frente do segundo. Com um orçamento 2 vezes maior que os lampionis e 4 vezes maior que o nosso grande Sporting, os chulos serão, quase certamente, campeões. Isto ja dói. O benfica, coitado, continua com o Jesus, que mais cedo ou mais tarde, será posto na rua. Esperemos que mais tarde, e que percam muitos pontos entretanto.

Mas nao estou aqui para falar dos lampionis ou dos tripeiros nojentos lá do norte. O nosso Sporting tem tido muito que se lhe diga. 

O nosso presidente despromoveu labyad para a equipa B. É uma medida populista interessante. Os sportinguistas aplaudem. Dizem eles que os jogadores têm de aprender a ter respeito ao clube, e que têm de aceitar as novas condições do nosso clube, e que acham muito bem que um jogador que nao corre aprendam. Isso é muito giro, sim. Mas a intenção não era vender? Não é suposto tentar mostrar estes jogadorzitos de meia tigela que andam a chupar dinheiro do clube e não fazem nada e tentar vende-los pelo melhor preço possível? Então e se é essa a intenção, porque é que estamos a provocar e apoiar a desvalorização de um dos jogadores (estupidamente) mais bem pagos a jogar com a camisola do Sporting? 

Nao, o popular é que faz sentido nao é?

Mas falemos de coisas felizes! Esta é claramente a melhor altura do ano para mim. A esperança esta em altas, o estádio a rebentar records de decibeis,  o publico a aplaudir todo o passe bem concretizado, e o amor aos jogadores nuns níveis incríveis. Este ano os nossos putos trazem-nos, pelo menos, bom futebol. Digo pelo menos porque não só me interessam as vitorias. Gostos destes miúdos que ensinam os mais velhos a jogar futebol, que lhes mostram o que é um passe, e demonstram o que é correr. "Sim, é como andar, mas um bocadinho mais rápido. Consegues?". 

O Sporting está de volta. O Sporting é nosso. O Sporting é a minha droga. É o que faz o meu sangue (verde) correr mais depressa. É voltar a sentir a emoção e a garganta rouca de tanto gritar aqueles cânticos que nunca esqueceremos. É ver os jogadores com aquela camisola e ter esperança. É sorrir quando te aproximas da tua porta no estádio, já com a sensação de estar em casa, e é fazer previsões com o senhor da cadeira do lado. É aquela cerveja antes do jogo ali no magriço, é a bandeira verde e branca, é o cachecol, é a felicidade. 

O Sporting é tudo isto, e é por tudo isto que o Sporting nunca ira acabar. 


quinta-feira, 11 de julho de 2013

O Sporting já não é a vossa "menina"

A pre-época vai começar! Quem é que não tem saudades de ver os nossos a jogar? Pois bem, olhando para o calendário, no mínimo confuso, dos nossos meninos, diz que vamos ter uma pre-época verdadeira, não como a do ano passado. 

No ano passado era só fun and games, brincar com o Paulinho, dar abraços ao Sá Pinto, rir muito nos treinos, ai tão giro o bom ambiente entre os nossos. Era giro, sim, até começarmos a ver que não corriam, que estavam gordos, que se tinham esquecido do que é que era aquela coisa redonda que lhes punha a comida na mesa. Os reforços foram ridículos (com 27 médios e um único ponta de lança), as vendas ainda mais, e as fotografias nos instagrams de churrascadas e coisas do género começavam já a cansar. Perdemos a paciência. No principio de Agosto disse "fica para o próximo ano". Será que fica? Uma coisa é certa, este ano ninguém faz do Sporting a sua... Menina de rua. 

Nao se renova por pressões mediaticas, não se enche os bolsos a qualquer um, não se vendem e compram jogadores sem perceber muito bem porquê. Mas quanto de bom é não vender ao deus dará? No fim não acabaremos por ter de ficar com eles, pagar-lhes o salário, e ficar a arder? Gosto que o Bruno faça força, mas ha certos jogadores que só quero é que se ponham a andar, se for preciso pagar a alguém para ficar com eles que seja! 

Se fizemos limpeza nos generais do Sporting, também há que fazer limpeza nos soldados que não sabem que pátria é que estão a representar. 


Ps - aproveito para retirar tudo o que disse de bom do Bruma no ultimo post. Eu que sempre digo "vou esperar por confirmações para comentar" cometi o erro crasso de comentar num misto de confiança estúpida e esperança. Peço desculpa.



sexta-feira, 5 de julho de 2013

Quem é o tubarão? - versão 2013

Já há algum tempo que deixei de visitar as páginas de internet de Records, bolas, jogos, e coisas que tais. Deixei mesmo, tanto que eu nem me apercebi de metade da telenovela Bruma (a segunda mais importante do país depois da do governo). Mas já me começa mesmo a cansar chegar às redes sociais e ora um dia é o maior, ora outro já é como os traidores do maçã podre. Tudo porque não renovou já, porque deve tudo ao Sporting, porque devia era encostar-se o rapaz sem o deixar jogar já que não quer facilitar o processo, porque devia era "levar um abanão", porque quer ganhar o dinheiro que, na verdade, merece. Que bem que nós tratamos os nossos jogadores, e que adeptos diferentes que somos.

Palhaçada.

Então é um traidor porque quer ganhar os seus trocos? Sabendo o que vale, e depois de uma estratégia ridícula da anterior direcção do nosso clube, claro que se vai aproveitar. E não tem nada a ver com o seu sportinguismo ou não, por duas razões:
Despediu o seu agente que devia ter algum acordo esquisito com o nosso querido Godinho.
Não vejo mal nenhum em ser bom e ganhar o que é justo, e mais que justo.

Tivemos um presidente que fez o favor de obrigar os treinadores (plural, continua a fazer-me imensa graça) a subir a equipa B inteira à A sem renova-los a todos antes!! E sou só eu que acho esquisito que todos terminem o contrato ao mesmo tempo, e que nenhum tenha sido renovado num timming decente?

E para não ser muito anti-Godinho e muito pro-Bruno, digo também que o nosso caríssimo presidente fez muito mal em deixar esta palermice toda para depois do mundial sub-20.

Hoje nem vou dar atenção a isto, quando a telenovela acabar alguém que me conte quem é o tubarão, se faz favor.


quarta-feira, 3 de julho de 2013

Desabafo


Transferência do ano? Claramente a ida de Neymar para o Barcelona. Este negocio, que a tantos agradou, não me parece nada boa estratégia de carreira para o que poderia vir a ser o melhor jogador do mundo. Porque é que digo poderia? Porque é mais que óbvio que Messi, o grande jogador humilde, e bom companheiro, nem o vai deixar jogar, nem o vai deixar a vontade para fazer o que quer que seja. E desenganem-se, é assim que se criam os flops. Vá, não é só assim, às vezes as drogas, saídas e pouco profissionalismo ajudam, mas a pressão psicológica do considerado melhor jogador do mundo pela FIFA, não ajudará com certeza. Não sei qual seria o clube ideal para o jogador brasileiro, acho que o Real Madrid também não tem estrutura suficiente no dia de hoje para aguentar com o Cristy e o Neyma, não acho que o futebol inglês fosse o tipo de futebol que o rapaz aguentasse sem perder a sua arte, o alemão nem tem muita arte, mas Barcelona, o “melhor” clube do mundo, não saberá, como não soube até então e depois de muitos milhões gastos na procura do “companheiro de Messi”, lidar com o ego de Messi, e deixará que Neymar seja, à falta de outra expressão, papado vivo.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

sábado, 29 de junho de 2013

Este ano (não) vamos ser campeões.

Não serei eu com certeza a única com saudades de ver o nosso grande Sporting jogar, embora Este ano seja o primeiro que chego a esta altura perfeitamente consciencializada de que não seremos campeões. Sempre fomos, nós leões, bastante ilusionados em relação à nossa equipa e começamos sempre a dizer "este ano calamo-vos, este ano vamos ser campeões" e ao longo da época essa frase vai deixando de se dizer com muita tristeza nossa.

Agora somos conscientes que não se curam 17 anos de má gestão em meses, que embora pareça estar num bom caminho, não nos podemos iludir. A realidade é que não estaremos a lutar por nenhum título. Pelo menos nenhum que importe.

O bom de ser um bom adepto de futebol, e não um adepto de só quando estamos a ganhar, é que mesmo assim ir ao estádio, ver os nossos a jogar, gritar até ficar sem voz, pôr os braços ao ar e cantar, é e será sempre um prazer.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Vida

Há quem diga que sou maluca. Que uma rapariga não devia gostar tanto de futebol. Que uma rapariga não devia se quer abrir a boca para falar de futebol. Riem-se quando digo que tenho um blog sobre o meu clube amado. Porque isso não é para raparigas, dizem eles, raparigas são para falar de moda, e verniz para as unhas. Para comentar os rapazes giros que aparecem na televisão, e partilharem fotografias com paisagens e uma mensagem bonita e profunda a Helvica. Basicamente para não terem muito interesse, e nunca interferirem com a sua guy’s zone. Certo?

Pois bem, não serei com certeza uma rapariga normal. Não sei muito bem como começou, mas foi mais por mim que por influencias. Pronto, pronto, ter dois irmãos rapazes ajuda, mas devo, ainda assim, ser a pessoa mais adepta de futebol da família. O jogo em si dá-me pica, gosto de ver os 22 palermas atrás de uma bola, gosto da arte que demonstram com aquele objecto redondo com o qual já todos jogamos, gosto do quanto move as pessoas.

O meu primeiro equipamento do Sporting Grande de Portugal foi recebido em 2000. O Sporting não era campeão à 18 anos, nunca tinha visto o meu clube ganhar nada, ou quase nada, não sabia porque é que era dos verde-e-brancos se nem os via ganhar nada, só sabia que o era. Fiquei tristíssima quando não pude ir festejar o campeonato para a rua, tinha de ir dormir. Afinal, tinha apenas 9 anos e já era a hora do xixi-cama, já tinham dado os patinhos. Quando acordei tinha o presente perfeito ao final da cama. O equipamento do Sporting! Ainda com a marca Telecel, com os calções e as meias, tudo perfeito! Os meus irmãos receberam o equipamento do Schmeichel, e fomos todos assim vestidos para a escola nesse dia. Nunca me esquecerei de jogar a bola com aquilo vestido pela primeira vez. Ainda hoje uso essa t-shirt, e por vezes esses calções. Estão-me um pouco bastante mais pequeninos, mas ainda servem, e são um orgulho demasiado grande para enfia-los numa gaveta e esquecer que existem.

A minha segunda t-shirt foi-me oferecida pelo meu amigo Rui, com quem já não falo à anos, mas que foi com quem fui aos primeiros jogos ao estádio e por isso nunca me esquecerei. Sim, não sou aquela sportinguista que ia ao estádio em pequenina com o pai e que daí cresceu o meu amor, porque, com muita pena minha, o meu pai é benfiquista, como já disse aqui varias vezes. Não é por isso que gosto menos dele. É dos poucos benfiquistas que admiro profundamente.

Os primeiros jogos que fui ainda me fizeram apaixonar mais pelo grande clube que amo hoje em dia. O ambiente pré-jogo, a família, a união. Somos únicos. Como é que posso ter a certeza? Nunca fui a um pré-jogo lampionico, é um facto, mas duvido que se viva aquilo que nós vivemos. Desconhecidos, amigos, conhecidos, irmãos, juntam-se no amor incondicional que nutrimos pelo verde.

Pois é, pareço uma facciosa insuportável, mas a sério. Eu não sou assim tão facciosa. É apenas o que sinto e vivo ao ver aquele ambiente brutal. Não quero que me interpretem mal quando falo mal de benfiquistas ou portistas, apenas sinto que não tenho mesmo nada a ver com aquilo, e sim, não gosto do que eles cultivam em relação ao seu clube. Não por puro odio gratuito, mas porque há razões para não ser adepta daquilo. Respeito, não digam que não, quando não gostam dos meus posts, porque é que não respeitam que não goste dos vossos clubes?

Quando comecei o blog nunca foi no sentido de demonstrar que mulheres também podem gostar de futebol, nunca foi num anti-machismo puro, nunca foi com grandes intenções. Era só para desabafar as minhas opiniões enquanto sou emigrante e não tenho ninguém com quem falar do meu clube. A verdade é que foi crescendo, e mesmo quando estou demasiado ocupada para escrever, ou pura e simplesmente prefiro manter o silencio (como ultimamente, já que comentar pseudo-futuras-contratações, a mim, não me parece interessante), não me passa a vontade de ver futebol, não me passa a vontade de ver o meu Sporting.

Porque não é só fachada. É só amor.








terça-feira, 18 de junho de 2013

Miguel Sousa Tavares sobre a greve dos professores

"A minha entrada no ensino foi feita numa pequeníssima aldeia rural do norte. Éramos uns 80 alunos, da 1ª à 4ª classe, todos juntos na mesma e única sala de aula da escola - que não me lembro se tinha ou não casas-de-banho, mas sei que não tinha qualquer espécie de aquecimento contra o frio granítico, de Novembro a Março, que nos colava às carteiras duplas, petrificados como estalactites. Lembro-me de que o "recreio" era apenas um pequeno espaço plano, enlameado no Inverno, e onde jogávamos futebol com uma bola feita de meias velhas e balizas marcadas com pedras. A escola não tinha um vigilante, um porteiro, uma secretária administrativa. Ninguém mais do que a D. Constança, a professora que, sozinha, desempenhava todas essas tarefas e ainda ensinava os rios do Ultramar aos da 4ª classe, a história pátria aos da 3ª, as fracções aos da 2ª, e as primeiras letras aos da 1ª. Ela, sozinha, constituía todo o pessoal daquilo a que agora se chama o 1º ciclo. Se porventura, adoecesse, ou se na aldeia houvesse, que não havia, um médico disposto a passar-lhe uma baixa psicológica ou outra qualquer quando não lhe apetecesse ir trabalhar, as 80 crianças da aldeia em idade escolar ficariam sem escola. Mas ela não falhou um único dia em todo o ano lectivo e eu saí de lá a saber escrever e para sempre apaixonado pela leitura. Devo-lhe isso eternamente.

Nesse tempo, não havia Parque Escolar, não havia pequenos-almoços na escola (que boa falta faziam!), não havia aquecimento nas salas, não havia o recorde de Portugal e da Europa de baixas profissionais entre os professores, não havia telemóveis nem iPads com os alunos, não havia "Magalhães" ao serviço dos meninos, mas sim lousas e giz, os professores não faziam greves porque estavam "desmotivados" ou "deprimidos" e a noção de "horário zero" seria levada à conta de brincadeira. Era assim a vida.

Não vou (notem: não vou) sustentar que assim é que estava bem. Limito-me a dizer que tudo é relativo e que nada do que temos por adquirido, excepto a morte, o foi sempre ou o será para sempre. E sei que na Finlândia - o país considerado modelo no ensino básico e secundário pela OCDE - os professores trabalham mais horas do que aqui, não faltam às aulas e ganham proporcionalmente menos. Com resultados substancialmente melhores, do único ponto de vista que interessa aos pais e aos contribuintes: o desempenho escolar dos alunos.

Só uma classe que recusou, como ultraje, a possibilidade de ser avaliada para efeitos de progressão profissional - isto é, uma classe onde os medíocres reivindicaram o direito constitucional de ganharem o mesmo que os competentes - é que se pode permitir a irresponsabilidade e a leviandade de decretar uma greve aos exames nacionais. Nisso, são professores exemplares: transmitem aos alunos o seu próprio exemplo, o exemplo de quem acha que os exames, as avaliações, são um incómodo para a paz de um sistema assente na desresponsabilização, na nivelação de todos por baixo, na ausência de estímulo ao mérito e ao esforço individual.

Mas a greve dos professores vai muito para lá deles: reflecte o estado de espírito de uma parte do país que não entendeu ou não quer entender o que lhe aconteceu. Deixem-me, então recordar: Portugal faliu. O Portugal das baixas psicológicas, dos direitos adquiridos para sempre, das falcatruas fiscais, das reformas antecipadas, dos subsídios para tudo e mais alguma coisa, dos salários iguais para os que trabalham e os que preguiçam, faliu. Faliu: não é mais sustentável. Podemos discutir, discordar, opormo-nos às condições do resgate que nos foi imposto e à sua gestão por parte deste Governo: eu também o faço e veementemente. Mas não podemos, se formos sérios, esquecer o essencial: se fomos resgatados, é porque fomos à falência; e, se fomos à falência, é porque não produzimos riqueza que possa sustentar o modo de vida a que nos habituámos. Se alguém conhece uma alternativa mágica, em que se possa ter professores sem crianças, auto-estradas sem carros, reformas sem dinheiro para as pagar, acumulando dívida a 6, 7 ou 8% de juros para a geração seguinte pagar, que o diga. Caso contrário, tenham pudor: não se fazem greves porque se acaba com os horários zero, porque se estabelece um horário semanal (e ficcional) de 40 horas de trabalho ou porque o Estado não pode sustentar o mesmo número de professores, se os portugueses não fazem filhos.

Por mais que respeite o direito à greve, causa-me uma sensação desagradável ver dirigentes sindicais, dos professores e não só, regozijarem-se porque ninguém foi trabalhar. Ver um sindicalismo de bota-abaixo constante, onde qualquer greve, qualquer manifestação, é muito mais valorizada e procurada do que qualquer acordo e qualquer negociação - como se, por cada português com vontade de trabalhar, houvesse outro cujo trabalho consiste em dissuadi-lo desse vício. Assim como me causa impressão, no estado em que o país está, saber que quase 200.000 trabalhadores pediram a reforma antecipada em 2012, mesmo perdendo dinheiro, e apesar de se queixarem da crise e dos constantes cortes nas pensões. Porque a mensagem deles é clara: "Eu, para já, mesmo perdendo dinheiro, safo-me. Os otários que continuarem a trabalhar e que se vierem a reformar mais tarde, em piores condições, é que lixam!" É o retrato de um país que parece ter perdido qualquer noção de destino colectivo: há um milhão de portugueses sem trabalho e grande parte dos que o têm, aparentemente, só desejam deixar de trabalhar. Será assim que nos livraremos da troika?

As coisas chegaram a um ponto de anormalidade tal, que, quando o ministro da Educação, no exercício do seu mais elementar dever - que é o de defender os direitos dos alunos contra a greve dos professores - convoca todos eles para vigiar os exames, aqui d'El Rey na imprensa bem-pensante que se trata de sabotar o legítimo direito à greve. Ou seja: que haja professores (que os há, felizmente!) dispostos a permitir que os alunos tenham exames é uma violação ilegítima do direito dos outros a que eles não tenham exames. Di-lo o dr. Garcia Pereira, o advogado dos trabalhadores e do dr. Jardim, infalível defensor da classe operária, e o mesmo que, no final do meu tempo de estudante, na Faculdade de Direito de Lisboa, invocando os ensinamentos do grande camarada Mao, decretava greve aos "exames burgueses" - que o fizeram advogado.

Não contesto que as greves, por natureza, causem incómodos a outrem - ou não fariam sentido. Mas há limites para tudo. Limites de brio profissional: um cirurgião não resolve entrar em grave quando recebe um doente já anestesiado pronto para a operação; um controlador aéreo não entra em greve quando tem um avião a fazer-se à pista; um bombeiro não entra em greve quando há um incêndio para apagar. Eu sei que isto que agora escrevo vai circular nos blogues dos professores, vai ser adulterado, deturpado, montado conforme dê mais jeito: já o fizeram no passado, inventando coisas que eu nunca disse, e só custa da primeira vez. Paciência, é isto que eu penso: esta greve dos professores aos exames, por muitas razões que possam ter, é inadmissível."